Archive for junho, 2009
Passion For Poetry V – Shakespeare
Rolou no dia 17 de junho o Passion for Poetry V, um sarau de Literatura Britânica e Americana, que acontece anualmente nas dependências Associação Educacional Dom Bosco, durante a Semana de Atividades Científicas.
O tema desta quinta edição foi Shakespeare, simplesmente o maior nome da Literatura Inglesa. A apresentação contou com a declamação de vários sonetos, encenação de trechos das peças Romeo and Juliet e MacBeth, e três músicas executadas ao vivo pelos talentosos Marcello e Mariana Beckman. Obviamente tudo foi declamado em inglês, inclusive a narração feita pelo André Marcelo, o major.
O trecho encenado de Romeo and Juliet contou com Juliana Rocha como Juliet e Danilo Féo como Romeo. MacBeth teve a Carol dando um show como Lady MacBeth, Agatha Dias como o General MacBeth e a Rafaela como o mensageiro. O desempenho dos atores foi tão bom, que a ausência de cenário não fez falta.
Dentro dos limites óbvios de um trabalho universitário, a produção foi caprichada, contando com sonorização e iluminação competentes, bom palco e figurino legal.
O auditório lotou e a platéia demonstrou ter gostado muito, aplaudindo com entusiasmo no final. E assim termina mais um Passion for Poetry, projeto idealizado e dirigido todos os anos pela mestra Chrysley Pimenta.

Duas das declamadoras, o cara do som, nossa Lady Macbeth e nossa Juliet
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Exterminador do Futuro: A Salvação
Exterminador do Futuro I e II foram filmes que marcaram minha infância e pré-adolescência. Assisti-os incontáveis vezes, repetia as partes mais legais até o cabeçote do vídeo pedir arrego, e decorava todos os diálogos. As partes que eu mais gostava eram os flashes do futuro, que mostravam a guerra contra as máquinas , a bomba de hidrogênio e T-800 aos milhares. Sendo assim, eu ficava imaginando como seria aquele futuro sombrio e o que os flashes não mostravam. Por isso, eu sempre quis assistir um filme que mostrasse a guerra em si. Mas pra mim, isso nunca aconteceria, ainda mais depois da bomba que foi o terceiro filme. Imagine a minha ansiedade quando anunciaram Terminator Salvation, que mostraria justamente a guerra contra as máquinas, após o Julgamento Final.
Foi com um sorriso de orelha a orelha que fui assistir o tão aguardado quarto filme da franquia. Eu sabia que não veria algo no nível dos dois primeiros, mas tinha certeza que seria superior ao terceiro. E foi exatamente o que eu esperava: algo longe de ser uma obra prima, mas um bom e divertido cinema pipoca.
De cara, a paisagem desértica que serve de palco pra ação, faz com que o longa tenha um jeitão de Mad Max – mundo árido e humanidade oprimida por uma realidade difícil. Até os personagens secundários parecem saídos da obra de George Miller: brutos, famintos, traiçoeiros, arruaceiros e encardidos; com direito até a uma fedelha nos moldes daquela garotinha do péssimo Waterworld, que é um plágio da série estrelada por Mel Gibson.
Se você está esperando encontrar em “Exterminador do Futuro: A Salvação”, viagens no tempo, diálogos sagazes e personagens carismáticos, assim como aquelas tramas complexas e bem elaboradas dos dois primeiros capítulos da série, esqueça. A palavra de ordem aqui é “ação”. Pura e simples. Não existe muito expaço pra desenvolver os personagens como anteriormente. A consequencia disso é que o andróide da vez não tem um quinto da simpatia do bom e velho modelo 101 da série T-800, mas ainda assim é bem legal e o melhor personagem do filme. O roteiro não é muito inteligente e explícitamente preguiçoso, cheio de furos( que não vou apontar aqui pra evitar spoilers escancarados). A trama pode não ser lá muito profunda, mas não compromete (muito); é adequada à proposta da película: mostrar a guerra da resistencia humana contra as máquinas, e apresentar uma grande variedade de novos (na verdade obsoletos) exterminadores e máquinas de combate. Além, é claro, dos combates!
Falando em exterminadores, eles são um show à parte. McG acertou ao mostrar os robôs de seu filme com visual fosco, enferrujado e sujo, ao contrário daqueles endoesqueletos limpinhos e cromados do início do segundo filme. Qual fã da série nunca imaginou como seria a série T-600, a patir da descrição de Kyle Reese no primeiro filme (“grandes e desajeitados, com pele de borracha – fáceis de identificar”)? Terminator Salvation nos mostra; exatamente como Reese descreve.
T-600, T-700, Marcus e T-800
Na verdade, em T4 aparece apenas um T-800, o saudoso modelo 101, “interpretado” digitalmente pelo Governator. Ele dá as caras gloriosamente lá pro final e é responsável pelo o ápice do longa. O final em que ele aparece, aliás, é claramente um tributo ao desfecho do primeiro filme. A luta entre Marcus e o T-800 é igualzinha àquela que vemos no filme original. Ponto pro McG, que mostrou grande respeito pela obra original.
Embora seja inferior a James Cameron, McG mostra ser um diretor de mão cheia para cenas de ação, e uma escolha acertada para assumir a franquia. As cenas de ação são simplesmente espetaculares e explosivas (literalmente!). É improvável que alguém torça o nariz se os próximos filmes forem capitaneados por ele, uma vez que Terminator é acima de tudo, uma série de ação.
Certa vez, James Cameron, o criador da série disse, quando questionado sobre o novo filme, que Terminator era sobre o medo de até onde as máquinas poderiam chegar, a incerteza e o medo do que aconteceria em um mundo dominado pela tecnologia. E se isso se virasse contra nós? Tendo dito isso, ele afirma seu ceticismo quanto a um filme que retratasse a guerra propriamente dita, pois a colocaria como algo concreto, que certamente acontecerá, e não como um possível futuro, que deve ser evitado.
De certa forma, ele estava certo. O resultado é que Terminator Salvation não é sobre o medo de um futuro sombrio que deve ser evitado, e sim um filme de guerra em um futuro sombrio. E é só. Mas isso nem de longe torna o longa ruim. Pelo contrário. O filme é muito divertido e prende a atenção do expectador do início ao fim, e mesmo com seus 130 minutos de projeção, deixa um gostinho de “quero mais”.
Gênese do Cinema

Irmãos Lumiere: os inventores do cinema.
Um dia desses, revirando minhas coisas, encontrei uma apostila do meu curso de Cinema, que iniciei em 2004 e abandonei logo após o término do primeiro período. Era uma apostila sobre história do cinema e nela, como não poderia deixar de ser, tinha um capítulo sobre os pais do cinema: os irmãos Lumiere. Me lembrei imediatamente de uma aula em que pude assistir ao primeiro filme da história.
Depois que abandonei o curso, pensei varias vezes em como seria interessante rever esse filme, até que recentemente, pensei novamente no assunto e resolvi procurar no youtube. E é claro que eu encontrei. Se lá podemos encontrar até vídeos de anônimos bêbados pagando mico em boate, por que não encontraríamos o primeiro filme de todos os tempos.
Louis e Auguste Lumiere patentiaram na França, em 1895, um invento mágico: o cinematógrafo. A invenção era capaz de capturar e reproduzir “fotografias animadas”. Ignorando o potencial artístico de sua criação, os Lumiere viam a máquina apenas como um instrumento científico, jamais imaginando que tinham dado o pontapé inicial na criação de uma nova espécie de arte, a sétima arte. O Cinema somente ganhou contornos artísticos com Georges Mélièis, tido como o pai do cinema de ficção. Mas isso já é outra história.
O primeiro filme da História, produzido pelos irmãos Lumiere chamava-se L’Arrivée d’un train en gare de la Ciotat, e mostrava um trem chegando à uma movimentada estação.
No dia 28 de Setembro de 1895, aconteceu a primeira sessão de cinema do mundo, na primeira sala de cinema de todos os tempos, chamada Éden. Diz a lenda, que quando o filme foi exibido, a ingênua platéia assustou-se e pulou em suas cadeiras, achando que o trem sairia da tela e os atropelaria.
Veja a seguir o primeiríssimo filme do mundo: L’Arrivée d’un train en gare de la Ciotat
O Senhor dos Anéis – Cenas que você nunca viu

Saruman, o branco
Saudações amigos!
Recentemente, eu estava assistindo “O Retorno do Rei”, terceiro filme da trilogia “O Senhor dos Anéis”, quando senti falta de alguns momentos chaves da história, que foram cruelmente editados, devido ao fato do filme já ser suficientemente extenso. Lamenta-se, porém, que tais cenas não foram incluídas sequer nos extras dos DVDs. Apenas alguns sortudos conseguiram assisti-las quando a trilogia foi exibida no final de 2003 nas salas do Cinemark, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro.
Eu sempre me perguntava o que teria acontecido com o mago branco, Saruman, imaginava como teria sido o encontro entre Gandalf e o Rei Bruxo de Angmar, senhor dos Nasgûl e o mais poderoso servo de Sauron, o senhor do escuro, entre outros eventos que não aparecem na trilogia de Peter Jackson. Teriam sido como nos livros?
“Ah, mas eu já sei o que acontece! Eu li toda a obra do Tolkien” – desdenhariam alguns. Tudo bem. Pode ser. Mas mesmo assim não deixa de ser interessante assistir a versão cinematográfica dessas passagens, até então praticamente inéditas por essas bandas.
Resolvi procurar no abençoado Youtube, as cenas cortadas. Como não poderia deixar de ser, encontrei-as sem grandes dificuldades.
Abaixo encontram-se algumas dessas cenas deletadas. Posteriormente publicarei mais, mas por enquanto fiquem com a morte de Saruman, e o contronto entre Gandalf e o Senhor dos Nasgûl.
Notem, que o final do Saruman está bem diferente daquele visto no livro de Tolkien. O mago branco não ataca o condado, e morre em sua torre.
*Publicado originalmente no meu antigo blog em julho de 2008.
Dogville
Nas Lojas Americanas daqui, costuma ter, lá no fundo do estabelecimento, uma piscina dessas de 1000 litros cheia de filmes em DVD. Entre montes e montes de tranqueiras estreladas por Steven Segal, Van Damme , Marc Dacascos e afins, é possível encontrar, com um pouco de paciência e boa vontade, algumas pérolas. Já garimpei ali preciosidades como Cães de Aluguel e Trainspotting.
Sábado passado, lá estava eu procurando por coisas boas perdidas ali no meio, e eis que encontro Dogville. Um filme obscuro que eu tive a oportunidade de assistir alguns anos atrás.
Esta produção, escrita e dirigida pelo dinamarquês Lars Von Trier, se mostra revolucionária. Ao contrário das grandes produções recheadas de efeitos especiais primorosos, cenografia incrivelmente detalhada e outros recursos que acabam, muitas vezes, camuflando uma trama pobre e interpretações fracas; temos aqui um total abandono de tais elementos. O diretor, mostra que é possível fazer um bom filme sem orçamentos astronômicos. Dogville é corajoso porque abdica quase totalmente de elementos cenográficos. A vila que serve de pano de fundo pra trama e dá nome à mesma, é toda desenhada no chão preto de um estúdio, como grandes plantas de arquitetura. Isso demonstra confiança no excelente roteiro, que por si só, prende o espectador do inicio ao fim dispensando qualquer tipo de cenário ou locação. Tudo se apoia apenas na narrativa primorosa e no elenco pra lá de competente. O resto é resto.
Uma observação mais atenta mostra certa semelhança com a estrutura narrativa de um romance literário. O roteiro é dividido em nove capítulos, um prólogo e um epílogo, como nos livros. O discurso do narrador, em off, nos remete à leitura de um romance realista, em que os personagens refletem o lado podre da humanidade.
O filme se passa nos Estados Unidos dos anos 30. Conta a história de uma cidadezinha , situada em um ponto quase inacessível das Montanhas Rochosas, que acolhe relutantemente Grace, uma bela fugitiva, vivida por Nicole Kidman. O povo do lugarejo aceita, esconder a moça dos mafiosos e da polícia em troca de pequenos serviços. Porém, quando as autoridades pregam nas casas de Dogville um cartaz de “procura-se”, a população do lugarejo começa a mostrar seu lado cruel, exigindo que a moça trabalhe, em troca de esconderijo e sigilo. Grace (Kidman) se torna então uma escrava da cidade, passando por todos os tipos de humilhações possíveis, chegando ao ponto, de ser violentada por todos os homens da aldeia e com isso, virando alvo da ira das mulheres locais.
Dogville é uma pérola do cinema que merece mais crédito e reconhecimento do que tem. O filme prova que cenografia primorosa, locações impressionantes e efeitos visuais não tornam um filme bom; o que o faz é a qualidade do roteiro e o talento do elenco e do diretor.
Altamente recomendável. Mas assista com a mente aberta e entre no clima da história.
Escrito em Novembro de 2007