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Bastardos Inglórios
Foi com grande expectativa que, no último sábado, dirigi-me ao cinema para assistir ao mais novo trabalho do aclamado cineasta Quentin Tarantino: Bastardos Inglórios. Bom, indo direto ao assunto, o filme não é o que eu esperava; mas ao mesmo tempo não decepciona e corresponde às expectativas quanto à qualidade – afinal estamos falando de Tarantino -, mas de um modo diferente.
Desde a pré-produção, quando o cineasta ainda escrevia o roteiro, o filme era anunciado como um filme de guerra, em que os protagonistas eram soldados judeus e americanos sádicos e psicopatas que tinham como missão a vingança contra os nazistas, aniquilando-os de forma selvagem. Então, conhecendo os trabalhos anteriores do Tarantino, esperava-se ver na tela judeus psicopatas chutando traseiros nazi, diálogos brilhantes, litros e litros de sangue jorrando, humor negro e sarcástico e, claro, closes em pés femininos. De fato, o filme entrega quase tudo isso, mas não da maneira que muitos esperavam.
O problema é que aqueles que deveriam ser o foco das atenções, aqueles que dão título ao filme e são os personagens mais legais, aparecem em segundo plano, estando mais para coadjuvantes. Os Bastardos são pouco explorados e mal aproveitados. O capítulo dois, que leva o nome da produção, é um dos mais legais justamente por mostrar os anti-heróis torturando e massacrando os nazistas, ao mesmo tempo em que são apresentados. Por isso mesmo, esse pedaço do filme é um dos melhores, deixando um gostinho de quero mais. E aí está o problema: apenas um pouco mais sobre aqueles que deveriam ser os principais é entregue até o final da projeção.
Na verdade, quem protagoniza o filme é a dona de um cinema. É ao redor dela que a trama se desenrola. É com ela que o vilão antagoniza, o passado trágico mostrado em flashback é sobre a infância dela. O Cel. Hans Landa mata a família dela (ops! spoiler). Os Bastardos apenas são convocados para ajudar no plano – mais uma vez – dela. Mesmo a belíssima Shosanna Dreyfus não sendo quem o espectador queria que protagonizasse a produção, ela se mostra uma personagem bastante interessante.
Todos os personagens, como não poderia deixar de ser em um filme do Tarantino, são carismáticos e bem característicos, em especial o Coronel Hans Landa, que rouba a cena, e desde já garante um lugar de destaque no ranking de melhores vilões do cinema.
Neste trabalho, Tarantino está mais afiado do que nunca nos diálogos. São inteligentes, e complexos, demonstrando um trabalho minucioso no roteiro. Na prática, o filme é composto em sua maior parte por diálogos longos, fazendo com que as seqüências também o sejam. O cineasta sempre usou e abusou muito bem desse recurso, mas aqui ele vai muito além. Fica a impressão de que as falas não precisavam ser tão extensas, e que não fariam falta à trama se fossem reduzidos. Mas isso pode ser um problema só para o espectador mais afoito. Pra mim não foi; na verdade, apreciei muito. Gosto de diálogos bem desenvolvidos.
Bastardos Inglórios é um filme com todas as características de seu diretor/roteirista. Está tudo lá: diálogos sagazes, personagens carismáticos e caricatos, humor ácido, baldes de sangue etc. Mas mesmo assim, fica a impressão que Quentin Tarantino começa a abandonar seu lado trash e cool e vislumbra horizontes mais oscarizáveis. Uma pena. Gostaria muito que seu próximo filme fosse na linha de Cães de Aluguel e Pulp Fiction.
Nada disso tira o crédito de Bastardos Inglórios, que é pipoca garantida. A única coisa que me desapontou um pouco foi justamente a reduzida participação dos Bastardos, mas mesmo assim, é um ótimo programa e cinema no melhor estilo Tarantino. Altamente recomendado!