Archive for 04/06/2010
Fúria de Titans
Como é de conhecimento geral, está sendo exibido nos cinemas de todo o Brasil o remake do épico sobre mitologia grega, Fúria de Titans. Em algumas (raras) salas, o filme foi exibido através da tecnologia da moda: o 3D. Como o filme foi rodado em 2D e, só então, depois de pronto, convertido para o 3D para pegar carona no sucesso de Avatar, o resultado nas projeções que fazem uso dessa nova ferramenta foi aquém do esperado pelo público. A versão aqui analisada é a convencional, em duas dimensões.
Para aqueles que esperam um filme inovador, capaz de romper barreiras, sugiro que vá com menos sede ao pote. A produção propõe apenas um entretenimento despretensioso para a família, tendo como público alvo as crianças, adolescentes. Prova disso foram os aplausos dos jovens no final da sessão.
Trata-se de um filme concebido para ser leve e acessível a todos. O roteiro deixa essa intenção bem clara, sendo bastante didático sobre a mitologia grega, explica cada evento e criatura mítica, o que seria desnecessário se a película fosse dirigida a um público mais específico. Os diálogos são recheados de bravatas clichês e os personagens, claramente estereotipados. Porém, tendo em mente a proposta do filme, o script inocente e despreocupado não chega a atrapalhar, pois o foco aqui está na ação e nos efeitos visuais, e nesse quesito, Fúria de Titans não decepciona nem um pouco.
A ação é constante e as batalhas acontecem ininterruptamente, contra um variado bestiário. Os monstros, aliás, em sua maioria, são um show à parte. A exceção fica para o ser do deserto parece saído diretamente dos seriados Stargate. A Medusa ficou quase perfeita, respeitando o conceito daquela vista obra original de 1981. Ela se arrasta entre as colunas com sua colossal cauda, atira flechas, mas seu rosto ficou mal acabado, deixando a computação gráfica aparente demais, o que deu a impressão de que essa parte foi feita as pressas.
O elenco está longe de impressionar – na verdade a grande maioria é composta por canastrões. O Perseu de Sam Worthington carece de carisma e não convence. Nem mesmo grandes nomes como Liam Neeson (Zeus) e Ralph Fiennes (Hades) entregam um trabalho aceitável. Não faria muita diferença se o filme fosse 100% em computação gráfica como fizeram recentemente em Beowulf – na verdade, pegaria menos mal para o elenco.
Mas quem disse que as crianças e adolescentes estão preocupados com esses “detalhes”? Eles querem é muita ação, muitos combates, muitos monstros irados e simples diversão. Nisso, remake de Louis Leterrier se sai muito bem. Apesar das falhas, o filme empolga, e em momento nenhum o espectador se sente tentado a olhar o relógio.
Aos que ainda não assistiram, não tenham medo de gastar seu rico dinheirinho com a entrada, pois a diversão é garantida. Só não vá esperando um épico no patamar de um Senhor dos Anéis.
Ah, e não esqueça da pipoca.
