O Cavaleiro da Morte
14/07/2010 at 07:48 Deixe um comentário
O Cavaleiro da Morte é a continuação direta de O Último Reino e, como seu antecessor, faz parte da saga intitulada Crônicas Saxônicas, escrita por Bernard Cornwell.
A apresentação gráfica e a encadernação, assim como no livro anterior, são belíssimas. O projeto gráfico segue o padrão dos demais volumes da série: o mesmo desenhista, o mesmo fundo cinzento (ou prateado para os sortudos), e a mesma fonte em alto relevo. Enfim, o mesmo design. Um observador mais atento deve ter notado que esses dois primeiros livros, se colocados lado a lado, formam um painel, que se completa com os romances posteriores da série.
Em O Cavaleiro da Morte, Bernard Cornwell mantêm a qualidade em relação ao romance anterior e sua narrativa continua primorosa e viciante , com a brutalidade e a atmosfera crua costumeiras. Nesse livro, porém, é adotado um ritmo diferente, um pouco mais lento e descritivo, com menos ação. Mas em hipótese alguma isso prejudica a obra. Não significa que a história seja parada ou enfadonha; longe disso. Fica claro que o autor optou por seguir esse caminho afim de desenvolver mais profundamente os personagens e seus relacionamentos, características e peculiaridades.
Em O Cavaleiro da Morte os personagens se mostram mais ricos e aprofundados, incluindo os novatos. Não que a primeira parte da história não apresentasse bons personagens – longe disso – afinal o protagonista, o dinamarquês Ragnar e o próprio Alfredo já eram muito bem trabalhados em O Último Reino. O fato é que aqui eles são mais detalhados, incluindo os inéditos, e suas relacionamentos são mais esmiuçados. Pegue por exemplo as namoradas de Uthred: Brida (do livro um) e Iseult (do livro dois) e as compare. O grande destaque do livro é Alfredo, que se mostra uma figura intrigante, contagiante e surpreendente. Uthred, por outro lado, toma atitudes um tanto duvidosas no início da narrativa, prejudicando a conexão com o leitor, que encontra alguma dificuldade em simpatizar com o narrador e seu discurso. Mas isso acontece apenas no início da trama e logo o truculento contador da história recupera a empatia com quem lê o texto.
Como dito anteriormente, o ritmo de O Cavaleiro da Morte é mais contido, e a ação menos presente. Porém, o livro fecha com a melhor sequência de batalha da série até aqui – e a melhor que eu já li. O conflito final é descrito magistralmente. Bernard Cornwell consegue fazer com que o leitor se sinta no meio da carnificina, deixando-o tenso e empolgado. As batalhas são expostas com detalhes brutais, tornando-as ainda mais realistas.
O Cavaleiro da Morte é um livro muito empolgante e bem escrito, com personagens marcantes e carismáticos e entrega um final apoteótico, fazendo com que o leitor coce o bolso, ansioso pelo próximo volume da saga do rei Alfredo e seu guerreiro Uthred.
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