Dogville

07/06/2009 at 04:18 Deixe um comentário

dogvilleNas Lojas Americanas daqui, costuma ter, lá no fundo do estabelecimento, uma piscina dessas de 1000 litros cheia de filmes em DVD. Entre montes e montes de tranqueiras estreladas por Steven Segal, Van Damme , Marc Dacascos e afins, é possível encontrar, com um pouco de paciência e boa vontade, algumas pérolas. Já garimpei ali preciosidades como Cães de Aluguel e Trainspotting.

Sábado passado, lá estava eu procurando por coisas boas perdidas ali no meio, e eis que encontro Dogville. Um filme obscuro que eu tive a oportunidade de assistir alguns anos atrás.

Esta produção, escrita e dirigida pelo dinamarquês Lars Von Trier, se mostra revolucionária. Ao contrário das grandes produções recheadas de efeitos especiais primorosos, cenografia incrivelmente detalhada e outros recursos que acabam, muitas vezes, camuflando uma trama pobre e interpretações fracas; temos aqui um total abandono de tais elementos. O diretor, mostra que é possível fazer um bom filme sem orçamentos astronômicos. Dogville é corajoso porque abdica quase totalmente de elementos cenográficos. A vila que serve de pano de fundo pra trama e dá nome à mesma, é toda desenhada no chão preto de um estúdio, como grandes plantas de arquitetura. Isso demonstra confiança no excelente roteiro, que por si só, prende o espectador do inicio ao fim dispensando qualquer tipo de cenário ou locação. Tudo se apoia apenas na narrativa primorosa e no elenco pra lá de competente. O resto é resto.

Uma observação mais atenta mostra certa semelhança com a estrutura narrativa de um romance literário. O roteiro é dividido em nove capítulos, um prólogo e um epílogo, como nos livros. O discurso do narrador, em off, nos remete à leitura de um romance realista, em que os personagens refletem o lado podre da humanidade.

O filme se passa nos Estados Unidos dos anos 30. Conta a história de uma cidadezinha , situada em um ponto quase inacessível das Montanhas Rochosas, que acolhe relutantemente Grace, uma bela fugitiva, vivida por Nicole Kidman. O povo do lugarejo aceita, esconder a moça dos mafiosos e da polícia em troca de pequenos serviços. Porém, quando as autoridades pregam nas casas de Dogville um cartaz de “procura-se”, a população do lugarejo começa a mostrar seu lado cruel, exigindo que a moça trabalhe, em troca de esconderijo e sigilo. Grace (Kidman) se torna então uma escrava da cidade, passando por todos os tipos de humilhações possíveis, chegando ao ponto, de ser violentada por todos os homens da aldeia e com isso, virando alvo da ira das mulheres locais.

Dogville é uma pérola do cinema que merece mais crédito e reconhecimento do que tem. O filme prova que cenografia primorosa, locações impressionantes e efeitos visuais não tornam um filme bom; o que o faz é a qualidade do roteiro e o talento do elenco e do diretor.

Altamente recomendável. Mas assista com a mente aberta e entre no clima da história.

 Escrito em Novembro de 2007

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Hasta la vista, Vulcan O Senhor dos Anéis – Cenas que você nunca viu

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