Exterminador do Futuro: A Salvação

08/06/2009 at 01:11 9 comentários

terminator-salvation-poster_370x491 Exterminador do Futuro I e II foram filmes que marcaram minha infância e pré-adolescência. Assisti-os incontáveis vezes, repetia as partes mais legais até o cabeçote do vídeo pedir arrego, e decorava todos os diálogos. As partes que eu mais gostava eram os flashes do futuro, que mostravam a guerra contra as máquinas , a bomba de hidrogênio e T-800 aos milhares. Sendo assim, eu ficava imaginando como seria aquele futuro sombrio e o que os flashes não mostravam. Por isso, eu sempre quis assistir um filme que mostrasse a guerra em si. Mas pra mim, isso nunca aconteceria, ainda mais depois da bomba que foi o terceiro filme. Imagine a minha ansiedade quando anunciaram Terminator Salvation, que mostraria justamente a guerra contra as máquinas, após o Julgamento Final.

Foi com um sorriso de orelha a orelha que fui assistir o tão aguardado quarto filme da franquia. Eu sabia que não veria algo no nível dos dois primeiros, mas tinha certeza que seria superior ao terceiro. E foi exatamente o que eu esperava: algo longe de ser uma obra prima, mas um bom e divertido cinema pipoca.

De cara, a paisagem desértica que serve de palco pra ação, faz com que o longa tenha um jeitão de Mad Max – mundo árido e humanidade oprimida por uma realidade difícil. Até os personagens secundários parecem saídos da obra de George Miller: brutos, famintos, traiçoeiros, arruaceiros e encardidos; com direito até a uma fedelha nos moldes daquela garotinha do péssimo Waterworld, que é um plágio da série estrelada por Mel Gibson.

Se você está esperando encontrar em “Exterminador do Futuro: A Salvação”, viagens no tempo, diálogos sagazes e personagens carismáticos, assim como aquelas tramas complexas e bem elaboradas dos dois primeiros capítulos da série, esqueça. A palavra de ordem aqui é “ação”. Pura e simples. Não existe muito expaço pra desenvolver os personagens como anteriormente. A consequencia disso é que o andróide da vez não tem um quinto da simpatia do bom e velho modelo 101 da série T-800, mas ainda assim é bem legal e o melhor personagem do filme. O roteiro não é muito inteligente e explícitamente preguiçoso, cheio de furos( que não vou apontar aqui pra evitar spoilers escancarados). A trama pode não ser lá muito profunda, mas não compromete (muito); é adequada à proposta da película: mostrar a guerra da resistencia humana contra as máquinas, e apresentar uma grande variedade de novos (na verdade obsoletos) exterminadores e máquinas de combate. Além, é claro, dos combates!

Falando em exterminadores, eles são um show à parte. McG acertou ao mostrar os robôs de seu filme com visual fosco, enferrujado e sujo, ao contrário daqueles endoesqueletos limpinhos e cromados do início do segundo filme. Qual fã da série nunca imaginou como seria a série T-600, a patir da descrição de Kyle Reese no primeiro filme (“grandes e desajeitados, com pele de borracha – fáceis de identificar”)? Terminator Salvation nos mostra; exatamente como Reese descreve.

T-600, T-700, Marcus e T-800

T-600, T-700, Marcus e T-800

Na verdade, em T4 aparece apenas um T-800, o saudoso modelo 101, “interpretado” digitalmente pelo Governator. Ele dá as caras gloriosamente lá pro final e é responsável pelo o ápice do longa. O final em que ele aparece, aliás, é claramente um tributo ao desfecho do primeiro filme. A luta entre Marcus e o T-800 é igualzinha àquela que vemos no filme original. Ponto pro McG, que mostrou grande respeito pela obra original.

Embora seja inferior a James Cameron, McG mostra ser um diretor de mão cheia para cenas de ação, e uma escolha acertada para assumir a franquia. As cenas de ação são simplesmente espetaculares e explosivas (literalmente!). É improvável que alguém torça o nariz se os próximos filmes forem capitaneados por ele, uma vez que Terminator é acima de tudo, uma série de ação.

Certa vez, James Cameron, o criador da série disse, quando questionado sobre o novo filme, que Terminator era sobre o medo de até onde as máquinas poderiam chegar, a incerteza e o medo do que aconteceria em um mundo dominado pela tecnologia. E se isso se virasse contra nós? Tendo dito isso, ele afirma seu ceticismo quanto a um filme que retratasse a guerra propriamente dita, pois a colocaria como algo concreto, que certamente acontecerá, e não como um possível futuro, que deve ser evitado.

De certa forma, ele estava certo. O resultado é que Terminator Salvation não é sobre o medo de um futuro sombrio que deve ser evitado, e sim um filme de guerra em um futuro sombrio. E é só. Mas isso nem de longe torna o longa ruim. Pelo contrário. O filme é muito divertido e prende a atenção do expectador do início ao fim, e mesmo com seus 130 minutos de projeção, deixa um gostinho de “quero mais”.

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Gênese do Cinema Passion For Poetry V – Shakespeare

9 Comentários Add your own

  • 1. Filipe  |  09/06/2009 às 02:38

    O exterminador e um clássico dos boms.Eu foi assistir a estréia com o André.

    Responder
  • 2. Filipe  |  09/06/2009 às 02:40

    E foi o primeiro!!!

    Responder
  • 3. Italo  |  09/06/2009 às 03:28

    Eu assisti a poucas horas. Curti bastante também. O cenário ficou massa, as cenas de ação também e os robôs muito entuados. Tá, as motos e os robôs “peixe” eram coisas estranhas, mas o filme em si foi bem divertido. Eu esperava que terminasse com Kyle sendo mandado para o passado, mas realmente não foi o foco da história.

    Também queria muito ver um filme que fosse no futuro pós-apocalíptico, na guerra entre a Resistência e as Máquinas, e foi isso que vi. Hehehe. Até mais.

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  • 4. André  |  09/06/2009 às 14:03

    Filipe inaugurou os comentários do blog! Valeu brother! Próxima estréia legal, vamos marcar de ir.

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  • 5. André  |  09/06/2009 às 14:52

    Fala Italo!

    Achei os tais hidrobôs estranhos também, mas curti os moto-exterminadores. Li uma entrevista com o responsável pelo design das máquinas do filme, que ele diz que quando a Skynet tomou o controle, se apoderou de todas as fábricas que já existiam, entre elas, fábricas de motos, e usaram a arquitetura desses veículos e os adaptaram como máquinas de guerra. Até que eu acehei a explicação plausível. Mas pros Hidrobôs não tem desculpa rsrsrs.

    Quanto ao Kyle Reese, acho que deve aparecer ele vontando no tempo no próximo filme. Vai ser épico quando isso acontecer. Sempre quis saber como é a tal máquina do tempo. Tudo que eu sei é que ela pertence às máquinas.

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  • 6. Agatha  |  13/06/2009 às 08:39

    Gostei imensamente do filme 2.
    Com James Cameron. Fiquei muito triste com o que fizeram no 3.

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  • 7. Jesper E. R.  |  23/06/2009 às 14:15

    desculpe me enfiar na conversa mas realmente o filme 4 trouxe de volta o que imaginamos ao ver o 1 e 2. muitas vezes me imaginei com aquele braço mecanizado do arnold, quando o T-800 fez a cicatriz em conor, em um flech me veio aquela imagem do 2, realmente não vejo a hr te sair o 5 explicando como é feita a viagem no tempo e como é feita a captura do T-800. as minhoca aquatica ficaram estranhas mesmo. o 3 foi legal as cenas de ação foram copias do 2, mas explicou uma e outra coisa, show foi ver o medico se lembrando do T-800. o proximo filme tbm tera de explicar o metal liquido!

    Responder
  • 8. André  |  23/06/2009 às 15:19

    Fala Jesper! Não tem o que se desculpar! Seja bem vindo ao Multiverso Reverso.

    Pois é! Terminador foi muito presente na minha pré-adolescência. Eu tb me imaginava com o braço mecânico e com a cara toda ferida aparecendo o endoesqueleto! Esse filme de fato serviu pra mostrar o que os dois primeiros apenas sugeriam. Gostei muito.

    Uno-me a vc na torcida de que no próximo filme abordem o T-1000, a captura dos T-800 e acima de tudo, a viagem no tempo.

    Um abraço brother, e continue acessando este blog.

    Responder
  • 9. ederson t600  |  22/12/2010 às 00:10

    muito legal o filme e to mara que o proximo seja com arnold scharzenegger e sela espetacular

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