Bastardos Inglórios

09/11/2009 at 17:16 6 comentários

bastardos-cartaz-350-divFoi com grande expectativa que, no último sábado,  dirigi-me ao cinema para assistir ao mais novo trabalho do aclamado cineasta Quentin Tarantino: Bastardos Inglórios. Bom, indo direto ao assunto, o filme não é o que eu esperava; mas ao mesmo tempo não decepciona e corresponde às expectativas quanto à qualidade – afinal estamos falando de Tarantino -,  mas de um modo diferente.

Desde a pré-produção, quando o cineasta ainda escrevia o roteiro, o filme era anunciado como um filme de guerra, em que os protagonistas eram soldados judeus e americanos sádicos e psicopatas que tinham como missão a vingança contra os nazistas, aniquilando-os de forma selvagem. Então, conhecendo os trabalhos anteriores do Tarantino, esperava-se ver na tela judeus psicopatas chutando traseiros nazi, diálogos brilhantes, litros e litros de sangue jorrando, humor negro e sarcástico e, claro, closes em pés femininos. De fato, o filme entrega quase tudo isso, mas não da maneira que muitos esperavam.

O problema é que aqueles que deveriam ser o foco das atenções, aqueles que dão título ao filme e são os personagens mais legais, aparecem em segundo plano, estando mais para coadjuvantes. Os Bastardos são pouco explorados e mal aproveitados. O capítulo dois, que leva o nome da produção, é um dos mais legais justamente por mostrar os anti-heróis torturando e massacrando os nazistas, ao mesmo tempo em que são apresentados. Por isso mesmo, esse pedaço do filme é um dos melhores, deixando um gostinho de quero mais. E aí está o problema: apenas um pouco mais sobre aqueles que deveriam ser os principais é entregue até o final da projeção.

Na verdade, quem protagoniza o filme é a dona de um cinema. É ao redor dela que a trama se desenrola. É com ela que o vilão antagoniza, o passado trágico mostrado em flashback é sobre a infância dela. O Cel. Hans Landa mata a família dela (ops! spoiler). Os Bastardos apenas são convocados para ajudar no plano – mais uma vez – dela. Mesmo a belíssima Shosanna Dreyfus não sendo quem o espectador queria que protagonizasse a produção, ela se mostra uma personagem bastante interessante.

Todos os personagens, como não poderia deixar de ser em um filme do Tarantino, são carismáticos e bem característicos, em especial o Coronel Hans Landa, que rouba a cena, e desde já garante um lugar de destaque no ranking de melhores vilões do cinema.

Neste trabalho, Tarantino está mais afiado do que nunca nos diálogos. São inteligentes, e complexos, demonstrando um trabalho minucioso no roteiro. Na prática, o filme é composto em sua maior parte por diálogos longos, fazendo com que as seqüências também o sejam. O cineasta sempre usou e abusou muito bem desse recurso, mas aqui ele vai muito além. Fica a impressão de que as falas não precisavam ser tão extensas, e que não fariam falta à trama se fossem reduzidos. Mas isso pode ser um problema só para o espectador mais afoito. Pra mim não foi; na verdade, apreciei muito. Gosto de diálogos bem desenvolvidos.

Bastardos Inglórios é um filme com todas as características de seu diretor/roteirista. Está tudo lá: diálogos sagazes, personagens carismáticos e caricatos, humor ácido, baldes de sangue etc. Mas mesmo assim, fica a impressão que Quentin Tarantino começa a abandonar seu lado trash e cool e vislumbra horizontes mais oscarizáveis. Uma pena. Gostaria muito que seu próximo filme fosse na linha de Cães de Aluguel e Pulp Fiction.

Nada disso tira o crédito de Bastardos Inglórios, que é pipoca garantida. A única coisa que me desapontou um pouco foi justamente a reduzida participação dos Bastardos, mas mesmo assim, é um ótimo programa e cinema no melhor estilo Tarantino. Altamente recomendado!

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TV Fechada Fúria de Titans

6 Comentários Add your own

  • 1. Italo  |  11/11/2009 às 01:26

    Pois é, não é um filme de ação como eu esperava ao ver o trailer. Pra mim, o foco do filme são os diálogos mesmo, muito bem construídos. O Hans Landa é um personagem extremamente carismático, adorei o plano dele perto do final, o cara se apropriou da situação de uma forma GENIAL!

    Também acho que os Bastardos não foram muito bem explorados, metade morreu no meio do filme sem fazer quase nada. =\ Fique meio desapontado, queria muito ver o Hugo Stiglitz em ação! (ele parecia ser O cara).

    Eu acho que você fez uma pequena confusão em relação à Shosana e aos bastardos. O plano de explodir o cinema ao qual os Bastardos se juntaram para ajudar foi elaborado pela aquela atriz alemã (que não me recordo o nome) e teve colaboração dos ingleses. O plano de Shosana foi algo que ocorreu em paralelo e que o outro grupo (o dos Bastardos) nunca tomou conhecimento – o que é extremamente irônico.

    Gostei muito do final também, a forma majestosa como o nazismo é pulverizado no filme.

    Bela resenha para um belo filme.

    Abraços, cara.

    Responder
    • 2. André  |  11/11/2009 às 01:47

      Fala grande Italo! Obrigado por comentar nesse espaço tão negligênciado por mim.

      Pois é. Vc tocou num ponto interessante que gerou uma argumentação com um conhecido meu. Essa parte ficou meio confusa, pq antes da atriz aparecer no filme, a dona do cinema (gatíssima) já aparecia bolando o plano. Depois surge aquela conversa entre militares dos aliados com a mesma idéia. Acabei me confundindo mesmo quanto a isso. Mas mesmo assim não deixa de ter sido estranho. A impressão que me passou foi que ela teria sido a mente por trás da bagaça. Mas recordando aqui, e juntando lé com cré, vejo que o que vc disse faz sentido mesmo. Então, já tratei de corrigir😉

      Vou nessa! Um abraço brother! Vou curtir o blackout

      Responder
  • 3. Érica  |  07/06/2010 às 02:38

    Quando fui assistir ao filme, também tinha a idéia de ação, mas fiquei totalmente surpresa com o enredo. Confesso que algumas cenas me chocaram, eram como humor negro. Como sempre, eu espera que Shosana fosse sobreviver ao final, mas para minha decepção, não foi isso que aconteceu.

    Gostei do filme, mas gostei principalmente da resenha que você faz dele. Um texto muito bem escrito. Parabéns!

    Responder
  • 4. Adilson  |  02/08/2010 às 13:09

    Tive a oportunidade de assistir está bela obra do Quentin Tarantino e confesso que muito embora não seja meu estilo preferido de filme, achei de uma inteligência fora do comum… Não sou grande entendedor da arte das telas mas admiro muito e achei muito bacana esse post sobre o filme “Bastardos Inglórios”. Meus Parabéns pelo blog e muito obrigado pelos comentários no Catarse e na Comunidade de dilvulgação, fiquei realmente muito feliz de saber que gostaste das minhas palavras e espero mais visitas e comentários teus em minha

    Responder
  • 5. Rafael Alves da conceição  |  28/10/2010 às 12:25

    Fala Andre beleza?
    Ai tive vendo seu texto, e achei muito interessante o conteudo abordado, a síntese do texto foi muito legal!!!
    Parabens André gostei muito desse texto, espero que possa ter mais como esse.
    Valeu um Abraço!!!.

    Responder
    • 6. André  |  28/10/2010 às 12:33

      Valeu grande Rafael! Muito obrigado pelo elogio brother. Em breve postari sobre mais alguns filmes e sobre o livro “A Batalha do Apocalipse”. Fica ligado!

      Um abraço, amigão!

      Responder

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