O Último Reino

02/07/2010 at 01:36 5 comentários

Essa é a primeira crítica literária do Multiverso Reverso, e para iniciar em grande estilo essa nova categoria do blog, nada melhor do que falar sobre o genial escritor britânico Bernard Cornwell, que me envergonho em confessar, conhecia apenas de nome até pouco tempo, quando finalmente resolvi adquirir um de seus livros. Fiquei em dúvida entre os primeiros volumes da Trilogia da Busca do Graal, Crônicas de Artur e Crônicas Saxônicas.  Por algum motivo, acabei optando pelo livro inicial das Crônicas Saxônicas, “O Último Reino”, e não me arrependi.

Antes de começar a analisar a obra devemos estar cientes sobre o que são as Crônicas Saxônicas. Essa saga conta a história do Rei Alfredo, católico devoto, que combateu os invasores dinamarqueses e unificou a Inglaterra. A história é contada através dos olhos de um guerreiro nobre da Nortumbria que é criado pelos invasores vikings. Seu nome é Uthred.

Não devemos julgar um livro pela capa, mas na verdade é essa parte do produto que nos chama a atenção nas livrarias e nos ajuda – embora não seja o fator principal – a escolhê-lo. Nesse aspecto “O Ultimo Reino” impressiona muito. A ilustração da capa e a diagramação ficaram muito bonitas e o título e o nome do autor em auto-relevo dão ainda mais beleza ao trabalho – embora isso seja um recurso comum nos livros atuais. A versão que adquiri foi a da capa cinza, mas o trabalho gráfico se mostra realmente impressionante na primeira edição prateada. Se o modelo padrão já dá vontade de exibi-lo na estante, imagine então a versão prateada. Aqui vai uma dica: compre também os outros volumes da saga e junte-os lado a lado.

Mas como uma bela capa não vale um livro, vamos ao que realmente importa: o texto. A narrativa de Cornwell é primorosa. O autor sabe prender a atenção do leitor como poucos, conseguindo ser bastante descritivo sem nunca prejudicar o ritmo da trama. O texto, narrado em primeira pessoa é leve e sem preciosismos, fazendo de “O Último Reino” uma leitura relativamente fácil, gostosa e rápida. A digestão do texto só não é mais tranqüila por conta do grande número de palavras e nomes estrangeiros e arcaicos, que convenhamos, são necessários para dar maior verossimilhança a um épico com a precisão histórica característica do autor.

 Os personagens são carismáticos e cativantes. Em uma história na qual o bem e o mal são separados por uma linha tênue, aqueles que podem ser considerados vilões são realmente odiosos; e os heróis, simplesmente não podem ser chamados assim. A trama é cruel, selvagem e brutal, assim como a vida deveria ser naqueles tempos. Há quem diga que o protagonista Uthred é um personagem raso, sem profundidade. Eu discordo. Uthred é um guerreiro criado por vikings, que despreza a erudição dos padres; e é ele quem narra tudo. Então, obviamente, o leitor tem acesso à trama através dos olhos de um bruto, um combatente feroz  que, mesmo assim, mostra uma personalidade complexa, que o divide entre os invasores que o criaram e a lealdade para com sua origem saxã.  O narrador constantemente se depara com situações que moldam sua personalidade ao decorrer da narrativa, mantendo-o em constante evolução. Portanto, o protagonista é profundo, sim!

Talvez uma das mágicas da narrativa de Cornwell, que prende tanto a nossa atenção de forma raramente vista, resida na incrível capacidade do autor em surpreender. A história conta com vários plot-twists que viram a cabeça do leitor de cabeça pra baixo. Um outro motivo para o leitor não desgrudar do livro enquanto não chegar ao fim é o ritmo alucinante com que a trama se desenrola.

O livro é muito mais do que recomendado e tem grande potencial para fazer com que você o devore em pouquíssimo tempo. O único ponto negativo vai para o mapa, que é incompleto, omitindo vários lugares que são palcos de eventos importantes no decorrer da narrativa, o que acaba confundindo um pouco os leitores que não conheçam a geografia da Inglaterra.

Bernard Cornwell conseguiu fazer com que eu comprasse os dois próximos volumes das Crônicas Saxônicas, e os dois primeiros das Crônicas de Artur, antes mesmo que eu terminasse O Ultimo Reino.  Cinco livros caros em uma semana. Não é qualquer um que consegue fazer isso comigo.

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5 Comentários Add your own

  • 1. Renan  |  05/07/2010 às 23:11

    Eu ainda não li O Último Reino, mas se é Bernard Cornwell vale a pena. Mas acho difícil superar As Crônicas de Artur =D

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  • 2. André  |  06/07/2010 às 23:00

    Caro Renan, se é melhor eu ainda não tenho como te dizer, mas em breve terei. Já estou com a trilogia das Crônicas de Artur aqui completinha. Começo a ler em breve, e lógico postarei meus comentários aqui. Fique ligado. E obrigado pela visita amigo. Volte sempre.

    Responder
  • 3. bruno  |  14/07/2010 às 13:15

    Ja comprei, vou só terminar a busca do graal e partir para as saxonicas

    Responder
  • 4. Elimar Machado de Souza  |  01/06/2011 às 16:03

    Pergunta idiota: As séries mencionadas por você do Bernard Cornwell são trilogias mesmo? Desculpa a pergunta imbecil, mas é que a “moda” agora é lançar trilogias e depois ir acrescentando mais um, mais um, mais um…

    Responder
    • 5. André  |  04/08/2011 às 04:23

      As Crônicas Saxônicas passam fácil de 3 livros. No Brasil ja foram publicados cinco. O autor terminou recentemente o sexto livro. Ao que me consta serão sete no total. Espero ter ajudado. Um abraço.

      Responder

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